Síndrome de Asperger – Definição, Fisiopatologia da Doença, Causas, Sintomas, Diagnóstico, Tratamento e Prevençãoagnóstico, Tratamento, Prevenção - Doenças Raras Mentais

A Síndrome de Asperger é um transtorno de múltiplas funções do psiquismo com afetação principal na área do relacionamento interpessoal e no da comunicação, embora a fala seja relativamente normal. Há ainda interesses e habilidades específicas, o pedantismo, o comportamento estereotipado e repetitivo e distúrbios motores.

Síndrome de Asperger é o termo aplicado ao mais suave e de alta funcionalidade daquilo que é conhecido como o espectro de desordens pervasivas (presentes e percetíveis a todo o tempo) de desenvolvimento (espectro do Autismo).

Fisiopatologia Síndrome de Asperger

É caracterizada por desvios e anormalidades em três amplos aspectos do desenvolvimento:
  • Interacção social,
  • Uso da linguagem para a comunicação,
  • Certas características repetitivas ou perserverativas sobre um número limitado, porém intenso, de interesses.
Apesar de existirem algumas semelhanças com o Autismo, as pessoas com Síndrome de Asperger geralmente têm elevadas habilidades cognitivas.

Crianças com Síndrome de Asperger, podem ou não procurar uma interacção social, mas têm sempre dificuldades em interpretar e aprender as capacidades da interacção social e emocional com os outros.
Alguns pesquisadores sugerem que o défice neuropsicológico básico é diferente para a SA e Autismo de Alta Funcionalidade (AAF), mas outros não estão convencidos de que alguma distinção significativa possa ser feita entre os dois.

Epidemiologia Síndrome de Asperger

Incidência:

  • Síndrome de Asperger é consideravelmente mais comum que o Autismo clássico:
    • Autismo - 4 a cada 10.000 crianças; SA - 20 a 25 por 10.000;
    • Portugal - 20.000 a 30.000 pessoas afectadas.
  • Raça/Género:
    • Indivíduos do sexo masculino são cerca de quatro vezes mais atingidos que os do sexo feminino.
Em alguns casos há um claro componente genético, onde um dos pais (normalmente o pai) mostra ou o quadro SA completo ou pelo menos alguns traços associados ao SA.

Diagnóstico Clínico Síndrome de Asperger

O mais óbvio marco da Síndrome de Asperger:
  • Peculiar  área de “Interesse Especial”
Em contraste com o mais típico Autismo, onde os interesses são mais para objectos ou parte de objectos, na SA os interesses são mais frequentes por áreas intelectuais específicas.

Particularidades qualitativas na interacção social, envolvendo alguns ou todos os seguintes pontos:
  • Uso de peculiaridade no comportamento não-verbal para regular a interacção social;
  • Falha no desenvolvimento de relações com pares da sua idade;
  • Falta de interesse espontâneo em dividir experiências com outros;
  • Falta de reciprocidade emocional e social.
Padrões restritos, repetitivos e estereotipados de comportamento, interesses e actividades envolvendo:
  • Inflexibilidade a rotinas e rituais não funcionais específicos;
  • Maneirismos motores estereotipados ou repetitivos (por exemplo dar pancadinhas ou torcer as mãos ou os dedos, ou movimentos complexos de todo o corpo);
  • Preocupação com partes de objectos.

Diagnóstico Diferencial  Síndrome de Asperger

  • Autismo infantil (AI);
  • Transtorno esquizóide de personalidade;
  • Esquizofrenia infantil.
O diagnóstico diferencial mais polémico é entre SA e Autismo de Alto Funcionamento ou Alto Desempenho (AAF). A hipótese de super-dotado é frequente assim como distúrbios de comportamento não especificados.

A Síndrome de Asperger é muito comummente associada com outros tipos de diagnóstico:
  • “Tics” desordem de Tourette;
  • Problemas de atenção e de humor, depressão e ansiedade.

Diagnóstico Laboratorial Síndrome de Asperger

Tomografia Axial Computorizada e Ressonância Magnética mostram certas anormalidades no córtex cerebral, cerebelo e nos ventrículos cerebrais.

Tratamento Síndrome de Asperger

Quanto mais cedo o tratamento começar, melhor será a sua recuperação:
  • A nível psicoterapêutico,
  • A nível educacional,
  • A nível social.
O Treino de Competências Sociais é um dos mais importantes componentes do programa de tratamento.
As crianças conseguem aprender a como interpretar expressões não-verbais, emoções e interacções sociais. Este procedimento assiste-as nas interacções sociais e aproximações com as pessoas, prevenindo assim o isolamento e depressão que geralmente ocorre assim que entram na adolescência.

Os adolescentes podem, algumas vezes, receber benefícios através do grupo terapêutico e podem ser ensinados a usar a mesma linguagem que as pessoas da sua idade.

Princípios que devem ser seguidos para crianças com este tipo de desordem:

  • Rotinas de classe devem ser mantidas tão consistentes, estruturadas e previsíveis quanto possível;
  • Regras devem ser aplicadas cuidadosamente;
  • O staff deve tirar toda a vantagem das áreas de especial interesse quando leccionado;
  • Muitas crianças respondem bem a estímulos visuais: esquemas, mapas, listas, figuras, etc;
  • Tentar ensinar baseado no concreto;
  • Ensino didáctico e explícito de estratégias;
  • Tentar evitar luta de forças.
As abordagens psicoterapeuticas com enfoque na terapia comportamental e a aprendizagem de competências sociais são mais efectivas do que as terapias centradas na emoção.Aconselhamento e psicoterapia é bastante importante pois ajudam as crianças a arranjar estratégias de coping para a situação de estarem “socialmente em desvantagem”.
 
Muitas crianças e adultos com SA não precisam de algum tipo de fármacos. Outros, para serem tratados somaticamente, uma vez que não existem fármacos específicos para esta desordem, são utilizados os psicofármacos para tratar os problemas de crianças com SA. Muitos dos fármacos usados no tratamento de PDD (Pervasive Developmental Disorders) tal como o Autismo, são usados para tratar também a SA.

Estes indivíduos não apresentam qualquer atraso significativo de desenvolvimento de fala ou cognitivo, podendo até mesmo passar a vida toda sendo apenas consideradas pessoas “estranhas” para os padrões típicos de comportamento.Embora essas pessoas não tenham um atraso significativo no desenvolvimento cognitivo, é importante que a criança receba educação especializada o mais cedo possível para auxiliar o indivíduo a contornar os problemas de comportamento que apresenta e também para ajudar a direccionar os campos de interesse e de estudo da criança.
 
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