Leucodistrofia - Patologia Genética Rara, Definição, Causas, Diagnóstico, Fisiopatologia

As Leucodistrofias são patologias genéticas raras, caraterizadas pela destruição progressiva da bainha de mielina. Existem mais de 30 tipos de Leucodistrofias. Apesar de constituírem um grupo heterogéneo, todas elas apresentam um padrão progressivo da doença, o que significa que os pacientes vão agravando o seu estado ao longo da vida.  A bainha de mielina é uma película que protege os nervos, ela é responsável pela transmissão dos impulsos nervosos, na sua ausência torna-se impossível a transmissão desses mesmos impulsos.Importante referir que Leucodistrodia é diferente de Distrofia Muscular.

A maioria dos casos são herdados, tendo uma hereditariedade muito variável, variando de autossómica recessiva, autossómica dominante e ligada ao cromossomo X. Daí também ser variada a sintomatologia manifestada. Na maioria dos casos as Leucodistrofias são herdadas, contudo existem algumas formas que resultam de mutações em um gene particular, ocorrendo uma nova mutação, não tendo essa mutação sido herdada, ou seja não foi transmitida de um gene de um dos pais para o indivíduo afetado.

Fisiopatologia

Nas Leucodistrofias ocorrem danos à bainha de mielina do sistema nervoso central e, em menor proporção, da mielina de outras partes do sistema nervoso. Em certas Leucodistrofias, a mielina dos nervos periféricos pode também ser alterada. A bainha de mielina é uma película que protege os nervos, ela é responsável pela transmissão dos impulsos nervosos, na sua ausência torna-se impossível a transmissão desses mesmos impulsos.

O sistema nervoso é composto por duas estruturas principais, o sistema nervoso periférico e o sistema nervoso central. Estes dois sistemas trabalham em conjunto recebendo e transportando os sinais responsáveis por todas as funções corporais voluntárias e involuntárias, como por exemplo a respiração. O sistema nervoso central é composto por biliões de células nervosas, denominadas neurónios. Estes são os responsáveis pela transmissão dos sinais nervosos e são constituídos pelos seus corpos celulares e por projecções denominadas de dendritos e axónios respetivamente, que são os prolongamentos dos neurónios para outros neurónios e para outras partes do organismo.

A maior parte dos corpos celulares dos neurónios estão localizados no cérebro humano na camada externa de matéria cinzenta. A camada mais interna, a camada branca, contém os dendritos e os axónios. Os axónios são revestidos por uma substância lipídica de coloração branca denominada de mielina, que forma a bainha de mielina. Esta bainha tem a função de protecção, isolamento e transmissão dos impulsos nervosos. Na sua ausência ou dano os impulsos não são transmitidos ou o não são de forma apropriada. Logo a transmissão rápida de sinalização entre os neurónios e essa função fica comprometida, não existindo por completo ou estando francamente diminuída. Isto leva a que os indivíduos têm uma perda significativa de funções refletindo-se principalmente a nível motor e cognitivo.

Causas

A doença surge geralmente sem um motivo aparente. Ela afeta principalmente o sistema nervoso central, contudo podem ocorrer danos em outras partes do corpo, mas mais raramente. Os sintomas manifestados são muito variados. Numa fase inicial os sinais clínicos são geralmente pouco reconhecidos. Pode ocorrer mudança no tónus muscular com alterações da marcha, comportamento e memória, perda de audição e visão e problemas na deglutição. Existe também uma grande variabilidade em relação à idade de início dos sintomas

Todas as Leucodistrofias são resultantes de problemas relacionados com a mielina, como o crescimento e a manutenção da mesma. São vários os genes que atuam nos diferentes passos do processo de mielinização dos neurónios. Quando ocorrem mutações nesses genes pode ocorrer um tipo específico de Leucodistrofia. Os diferentes genes envolvidos provocam diferentes clínicas, podendo refletir essas diferenças a etiologia genética, que levam ao comprometimento de regiões do sistema nervoso específicas para cada Leucodistrofia.

Diagnóstico

O diagnóstico preciso do tipo de Leucodistrofia e o conhecimento do seu padrão de herança genética é muito relevante, não só do ponto de vista da avaliação clínica como também para a necessidade aconselhamento genético adequado

Para o estabelecimento do diagnóstico específico é necessário a realização de análises sanguíneas e a realização de exames de imagem (ressonância magnética e tomografia computorizada). Estes exames servem para identificar muitas anormalidades a nível da bainha de mielina. Algumas dessas anormalidades estão relacionadas a tipos específicos de Leucodistrofias, permitindo dessa forma o seu diagnóstico. Podem ainda ser realizados como complemento no diagnóstico a dosagem de ácidos graxos de cadeia muito longa e a determinação da atividade de algumas enzimas lisossomais.

Tratamento

Grande parte das Leucodistrofias não tem tratamento, com excepção de raros casos. O tratamento mais eficaz é o transplante de medula óssea, porém o transplante não está indicado em todos os tipos. No caso de não existir um doador compatível, é possível utilizar-se sangue do cordão umbilical, esta técnica tem apresentado bons resultados.

Existe um filme interessante chamado de “O Óleo de Lorenzo”, que retrata uma história baseada em acontecimentos reais de uma criança com Leucodistrofia. O tipo de Leucodistrofia de que era portadora não tinha cura. Os pais esforçaram-se por descobrir um tratamento curativo, conseguindo-o ao fim de algum tempo. O pai da criança, nunca tendo estudado medicina, foi agraciado com o título de médico pelo seu contributo à Medicina.

Exemplos de Leucodistrofias:

Fontes:

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